O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na última quinta-feira (15), ao lado de Abdel Fatah Al-Sisi, presidente do Egito, a intenção de explorar uma alternativa ao dólar para as relações comerciais e de investimentos entre os países do BRICS. Durante seu discurso, o presidente expressou a intenção de buscar a criação de uma moeda única, como meio de diminuir a dependência global da moeda norte-americana.
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Anteriormente, durante uma reunião do grupo na África do Sul, Lula havia manifestado o desejo de estabelecer uma moeda única para os países do bloco, criticando a dependência do dólar, a moeda dos Estados Unidos (EUA). De acordo com o mandatário, a criação de uma moeda oferece mais opções de pagamento e reduz as vulnerabilidades enfrentadas.
O Mercosul, do qual o Brasil faz parte, já debateu a ideia de uma moeda única. Em outras regiões econômicas, como a União Europeia (UE), o euro é adotado desde 2002.
Em 2023, a proposta de adotar uma moeda única foi criticada por Nigel Chalk, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), que destacou a complexidade do processo de adoção e observou que a escolha do dólar ocorreu de forma natural. Roberto Uebel, professor de relações internacionais da ESPM, argumenta que uma moeda única facilitaria a conversão dos valores negociados entre os países do grupo.
Uebel também explica que a busca por independência em relação ao dólar está relacionada principalmente às incertezas na economia dos Estados Unidos, como os cortes de juros propostos pelo Federal Reserve e o atual processo eleitoral.
Entre as desvantagens, está a possibilidade de desvalorização cambial para as moedas que não forem escolhidas para as transações comerciais, as quais precisariam ser convertidas para o valor de referência. O especialista também aponta que o uso do Real nas transações entre os países do Brics poderia afetar a inflação doméstica, já que o Banco Central brasileiro precisaria aumentar a emissão de moeda.
Ele sugere que talvez seja mais vantajoso utilizar uma moeda mais forte internacionalmente, como o renminbi chinês, devido à solidez da economia chinesa, que apresenta crescimento e inflação baixa, em contraste com o Brasil, suscetível às oscilações do mercado internacional.
*Com informações do Money Times.
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