Desde que reassumiu a presidência em janeiro de 2025, Donald Trump implementou uma série de medidas que afetam diretamente o setor de energia eólica nos Estados Unidos. Essas ações incluem a suspensão de novos arrendamentos para projetos eólicos offshore, a interrupção de permissões federais e a revisão de programas de energia renovável.
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Para Marília Brilhante, CEO da Energo Soluções em Energias, tais políticas podem desacelerar a transição energética americana, aumentar a dependência de combustíveis fósseis e elevar as emissões de carbono, com possíveis repercussões globais. “Trump suspendeu temporariamente a emissão de licenças, empréstimos e arrendamentos para projetos de energia eólica, tanto em terra quanto no mar. Além disso, o governo interrompeu o financiamento de projetos voltados para a mitigação climática, afetando diretamente programas de energia renovável e iniciativas de veículos elétricos”, aponta.
Mas a especialista considera que, embora as ações de Trump representem um revés para a energia renovável nos EUA, elas podem abrir oportunidades para o Brasil se destacar no cenário global de energias limpas. “O Brasil possui um vasto potencial para a geração de energia eólica e solar, especialmente no Nordeste. A expansão dessas fontes pode consolidar o país como líder em sustentabilidade, exportador de tecnologias limpas e impulsionar a economia verde, gerando empregos e promovendo o desenvolvimento sustentável”, destaca.
Para Marília, o estado do Ceará, com seus ventos constantes e alta incidência solar, destaca-se como um polo estratégico na transição energética brasileira. Atualmente, segundo ela, o estado atrai investimentos relevantes em parques eólicos e solares, e possui potencial para se tornar um hub de hidrogênio verde, essencial para a descarbonização industrial.
A diretora da Faculdade INBEC e especialista em ESG, Eveline Correia, faz coro com Marília. Para ela, a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos mais uma vez levanta preocupações sobre os rumos da economia e do meio ambiente em escala global.
A não adesão ao Acordo de Paris, para a especialista, é um golpe nos esforços internacionais para conter o aquecimento global. “A meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C se torna cada vez mais distante quando a maior economia do mundo decide aumentar a produção de petróleo, reduzir a proteção ambiental e incentivar o uso de combustíveis fósseis. Essa decisão não afeta apenas os Estados Unidos, mas influencia diretamente outros países que, ao verem a postura americana, podem desacelerar suas próprias transições energéticas”, aponta.
Eveline ressalta que o problema não é apenas ambiental, mas econômico, pois ao manter o modelo energético tradicional, os EUA dificultam o avanço de mercados mais sustentáveis e retardam investimentos globais em energias renováveis. “No campo econômico, a política de Trump ameaça diretamente a economia brasileira. O aumento da tarifa de importação do aço em 25% prejudica o setor siderúrgico nacional, um dos principais exportadores do produto para os EUA”, avalia.
Para ela, o mundo caminha para um futuro no qual a economia verde será um diferencial competitivo. “Trump pode estar jogando para agradar sua base política e fortalecer a indústria americana, mas suas decisões não são isoladas. O impacto é sentido globalmente. O protecionismo e a negligência ambiental não são sustentáveis, e os efeitos dessas escolhas ficarão evidentes no futuro próximo”, conclui a diretora da Faculdade INBEC.
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