No Ceará, a agricultura de precisão tem sido incorporada principalmente na produção irrigada, como na fruticultura e na produção de hortaliças. (Foto: Envato Elements)
A agricultura de precisão, um dos principais focos da agricultura digital, é crescente em todo o mundo e, definitivamente, está promovendo inovações e sustentabilidade em toda a cadeia de produção. O tamanho do mercado da agricultura de precisão é impactante: deve alcançar US$ 23,84 bilhões até 2029, crescendo a um Compound Annual Growth Rate (CAGR, que representa a taxa média de crescimento anualizada para valores compostos durante um determinado período de tempo) de 12,7% entre 2024 e 2029.
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A estimativa é da Mordor Intelligence, que acredita que, até o final de 2030, a agricultura de precisão vai se tornar a tendência mais influente na agricultura, eclipsando outros avanços. O motivo: “as alterações climáticas, a crescente procura de alimentos, o aumento da adoção de tecnologias inteligentes no sector agrícola global e as iniciativas governamentais para aumentar a eficiência dos agricultores através de novas tecnologias são alguns dos principais fatores que impulsionam a adoção da agricultura de precisão”.
Mas, o que é agricultura de precisão? Ela representa é um conjunto de tecnologias que proporcionam melhorias na produção agrícolas, através do reconhecimento de que o potencial de resposta das lavouras pode variar bastante, mesmo em pequenas distâncias de poucos metros. A agricultura de precisão otimiza o uso dos recursos, usando-os de forma específica em cada parte da lavoura, por conta da variabilidade de cada parte. Essa variabilidade inclui as diferenças entre as áreas no teor de nutrientes e água, e proteção contra pragas, doenças e plantas daninhas.
Etapas da agricultura de precisão:
Principais tecnologias utilizadas pela agricultura de precisão:
Para Luiz Eugênio Pontes (foto), CEO da Fertsan, a agricultura de precisão está transformando a produção brasileira ao permitir que os agricultores utilizem dados e tecnologias avançadas para otimizar o manejo das lavouras. Isso inclui o uso de sensores, drones, GPS e análise de dados para monitorar e gerenciar variáveis como solo, clima e saúde das plantas. Com isso, é possível aumentar a produtividade, reduzir custos e minimizar impactos ambientais.
No Brasil, Luiz Pontes observa que os setores que mais utilizam agricultura de precisão são o da soja, que é a principal cultura do país, onde a precisão ajuda na gestão de insumos e monitoramento de pragas; o do milho, no uso de dados para otimização de fertilização e irrigação; no da cana-de-açúcar, no monitoramento de produtividade e eficiência no uso de recursos, e no do hortifrutigranjeiros, na aplicação de técnicas de precisão para maximizar a qualidade e a quantidade de produção.
Sobre os principais benefícios da agricultura de precisão, o CEO da Fertsan enumera os quatros principais:
As tendências para o futuro da agricultura de precisão incluem, dentre outras, a integração de inteligência artificial – uso de IA para análise de dados e previsões –, automação e robótica – máquinas autônomas para plantio, colheita e monitoramento –, uso de biotecnologia – desenvolvimento de culturas mais resistentes e adaptáveis –, e adoção de sistemas de informação geográfica (SIG) – para melhor gestão territorial.
“O Brasil é um dos líderes globais em agricultura de precisão, devido à sua grande produção agrícola e à adoção crescente de tecnologias. O país tem se destacado na pesquisa e desenvolvimento de soluções inovadoras, além de ser um importante exportador de produtos agrícolas, influenciando práticas agrícolas em outras regiões do mundo. No Ceará, a agricultura de precisão tem avançado, especialmente em culturas como a fruticultura e a agricultura irrigada. O estado tem investido em tecnologias para otimizar o uso da água e melhorar a produtividade em um ambiente semiárido. No entanto, ainda há desafios relacionados à capacitação e ao acesso a tecnologias avançadas, que precisam ser abordados para maximizar o potencial da agricultura de precisão na região.”
Luiz Eugênio Pontes, CEO da Fertsan
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amilcar Silveira (foto), entende que, no agronegócio, não é permitido erros, principalmente nos dias atuais. Justamente por isso, os produtores estão cada vez mais “tecnificados”, buscando melhorar os fatores ligados, por exemplo, a equipamentos, sementes, fertilizantes e defensivos. No Ceará, a agricultura de precisão já é utilizada principalmente na eficiência hídrica. “Tem empresas no Ceará que, com automatização do seu sistema de irrigação, melhorou 37% na sua eficiência”.
O empresário informa que a Faec está tentando, “a todo o custo”, trazer tratores autônomo, fazer uma nova geração de máquinas. “Existem, hoje, na agricultura de precisão, alguns pulverizadores puxados por tratores, equipados com raio laser, que aplicam defensivos somente onde é estritamente necessário. Então, essa é a melhor forma de realizar, no caso específico, o trabalho, pois preserva o meio ambiente ao utilizar bem menos produtos, que são caríssimos na sua grande maioria” – esclarece.
“Atualmente, no entanto, existe um grande desafio, que é o elevado custo da agricultura de precisão. Os tratores equipados com GPS são caros, não são tratores baratos. O nosso sistema fundiário é formado por pequenas propriedades, salvos alguns enganos, o que torna oneroso para um produtor investir em equipamentos com preços elevados. Só pra você ter ideia, uma colheitadeira de algodão hoje custa R$ 9 milhões de reais. São grandes equipamentos que o pequeno produtor, infelizmente, não tem acesso.”
Amilcar Silveira, presidente da Faec
Ele enfatiza que o que impede o pequeno produtor cearense de não ter equipamentos de precisão é justamente o custo dos equipamentos. Mas isso vai ser resolvido, uma vez que as novas tecnologias tendem, com o tempo, a ter preços mais acessíveis. Os drones, lembra, já custaram mais R$ 300 mil, hoje estão por R$ 100 mil. “Os drones são fundamentais para, por exemplo, aplicação de defensivos, pois são precisos, evitando o desperdício, já que usam menos produtos. Essa é a nova onda do Ceará: agricultura 4.0 e vamos passar para a 5.0 e sermos cada vez mais eficientes” – acredita.
A agricultura de precisão está revolucionando a produção brasileira ao permitir que os agricultores façam um manejo mais eficiente nos seus cultivos e usem tecnologias avançadas, como sensores, drones, satélites, GPS e inteligência artificial.
Com isso, monitoram as condições do solo, uso adequado de água nas plantas em tempo real, para otimizar a produção, reduzir custos e melhorar a eficiência.
Desta forma, resulta numa produção mais sustentável e econômica. O ponto de vista é de Germano Parente Bluhm (foto), analista da Unidade de Competitividade dos Negócios e gestor de Agronegócio do Sebrae Ceará.
“O Brasil é um dos líderes mundiais na adoção da agricultura de precisão, com uma grande área de terras agricultáveis e uma indústria agrícola em crescimento. O país tem investido em pesquisa e desenvolvimento nessa área, tornando-se referência em inovações tecnológicas que podem ser aplicadas em larga escala. Além disso tem um papel importante na produção de alimentos e na exportação de tecnologias e serviços relacionados à agricultura de precisão.”
Germano Parente Bluhm, gestor de agronegócio do Sebrae Ceará
No entanto, o setor enfrenta desafios, como, por exemplo, o acesso à tecnologia e infraestrutura, que tem um custo inicial elevado (investir em tecnologia pode ser caro para pequenos produtores); o treinamento e a capacitação de agricultores (é necessário treiná-los para utilizar as novas tecnologias); a integração de dados e sistemas (gerenciar e interpretar grandes volumes de dados pode ser complexo e desafiador, visto que boa parte dos agricultores não tem essa prática no seu dia a dia); investir em segurança cibernética (grande desafio no campo); e a regulamentação e o implemento de políticas públicas (o governo brasileiro necessita ter mais velocidade para acompanhar as novas tecnologias e aplicar políticas públicas adequadas).
Germano Bluhm observa que a agricultura de precisão contribui significativamente para a segurança alimentar ao aumentar a produtividade e eficiência na produção, ao reduzir o uso de insumos químicos e a boa utilização dos recursos naturais, garantindo que mais alimentos sejam produzidos com menos recursos e com melhor qualidade. Ainda contribui com a redução do impacto ambiental e com o aumento da competitividade do agronegócio brasileiro. Isso é crucial em um país que busca atender tanto o mercado interno quanto as demandas externas.
Ele concorda com o presidente da Faec ao confirmar que, no Ceará, a agricultura de precisão tem sido incorporada principalmente na produção irrigada, como na fruticultura (melão, banana) e na produção de hortaliças. Devido ao estado estar no bioma semiárido, o uso eficiente da água é crucial. Tecnologias como sistemas de irrigação automatizados são cada vez mais comuns. No entanto, ainda existem desafios relacionados à capacitação dos produtores, falta de infraestrutura e ao acesso às tecnologias. O estado também conta com instituições de pesquisa e desenvolvimento, como a Embrapa e a Universidade Federal do Ceará, que trabalham em projetos relacionados à agricultura de precisão.
Sobre as tendências para a agricultura de precisão, Germano Bluhm é enfático: Integração com inteligência artificial, que vai permitir análises preditivas e tomadas de decisão mais assertivas; uso expandido de drones e satélites para monitoramento mais detalhado das lavouras; Internet das Coisas (IoT), com equipamentos conectados que permitem um gerenciamento em tempo real; e desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas para abastecer com segurança o crescimento populacional.
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